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Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós.
Deixam um pouco de si. Levam um pouco de nós.
Antoine de Saint Exupéry

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Cristo é a operação combinada — o encontro do finito com o infinito, tempo e eternidade se encontrando e se fundindo. Osho

TENHA UM TEMPO FELIZ!

"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você." (Carl Sagan)

EU ME SINTO GRATA E HONRADA...

EU ME SINTO GRATA E HONRADA...
...POR TODOS OS QUE AMOROSAMENTE SEGUEM ESTE BLOG!
"O ser integral conhece sem ir,
vê sem olhar e realiza sem fazer."

Lao Tzu

♥ BOM DIA ALEGRIA... BOM DIA SOL....a única sensação que tenho é que estou com os pés na areia...o resto de mim anda por aí em uma velocidade estonteante... e isso me dá ALEGRIA!!!

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta." autor desconhecido

POIS É...

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"...Só aqueles que compreenderam que devem procurar o infinito, o ilimitado, o que está além do tempo e do espaço, se sentem vivos, porque a vida verdadeira é a imensidão, a eternidade. Nunca vos refugieis naquilo que é acessível, limitado: abarcai o infinito e a vossa alegria também será infinita. Será a felicidade, a luz, a força, o dilatar de todo o vosso ser." Omraam Mikhaël Aïvanhov

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Os sapatinhos vermelhos

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Era uma vez uma pobre órfã que não tinha sapatos. Essa criança guardava os
trapos que pudesse encontrar e, com o tempo, conseguiu costurar um par de sapatos
vermelhos. Eles eram grosseiros, mas ela os adorava. Eles faziam com que ela se
sentisse rica, apesar de ela passar seus dias procurando alimento nos bosques
espinhosos até muito depois de escurecer.
Um dia, porém, quando ela vinha caminhando com dificuldade pela estrada,
maltrapilha e com seus sapatos vermelhos, uma carruagem dourada parou ao seu
lado. Dentro dela, havia uma senhora de idade que lhe disse que ia levá-la para casa e tratá-la como se fosse sua própria filhinha. E assim lá foram elas para a casa da rica senhora, e o cabelo da menina foi lavado e penteado. Deram-lhe roupas de baixo de um branco puríssimo, um belo vestido de lã, meias brancas e reluzentes sapatos pretos. Quando a menina perguntou pelas roupas velhas, e em especial pelos sapatos vermelhos, a senhora disse que as roupas estavam tão imundas e os sapatos eram tão ridículos que ela os jogara no fogo, onde se reduziram a cinzas.
A menina ficou muito triste, pois, mesmo com toda a fortuna que a cercava, os
modestos sapatos vermelhos feitos por suas próprias mãos haviam lhe dado uma
felicidade imensa. Agora, ela era obrigada a ficar sentada quieta o tempo todo, a
caminhar sem saltitar e a não falar a não ser que falassem com ela, mas uma chama
secreta começou a arder no seu coração e ela continuou a suspirar pelos seus velhos
sapatos vermelhos mais do que por qualquer outra coisa.
Como a menina tinha idade suficiente para ser crismada no dia do sacramento,
a senhora levou-a a um velho sapateiro aleijado para que ele fizesse um par de
sapatos especiais para a ocasião. Na vitrina do sapateiro havia um par de lindíssimos sapatos vermelhos do melhor couro. Eles praticamente refulgiam. Pois, apesar de sapatos vermelhos serem escandalosos para se ir à igreja, a menina, que só sabia decidir com seu coração faminto, escolheu os sapatos vermelhos. A vista da velha senhora era tão fraca que ela, sem perceber a cor dos sapatos, pagou por eles. O velho sapateiro piscou para a menina e embrulhou os sapatos.
No dia seguinte, os membros da congregação ficaram alvoroçados com os
sapatos da menina. Os sapatos vermelhos brilhavam como maçãs polidas, como
corações, como ameixas tingidas de vermelho. Todos olhavam carrancudos. Até os
ícones na parede, até as estátuas não tiravam os olhos reprovadores dos sapatos. A
menina, no entanto, gostava cada vez mais deles. Por isso, quando o bispo começou a salmodiar, o coro a cantarolar, o órgão a soar, a menina não achou que nada disso
fosse mais belo que os seus sapatos vermelhos.
Antes do final do dia, a velha senhora já estava informada dos sapatos
vermelhos da sua protegida.
— Nunca, nunca mais use esses sapatos vermelhos! — ameaçou a velha. No
domingo seguinte, porém, a menina não conseguiu deixar de preferir os sapatos
vermelhos aos pretos, e ela e a velha senhora caminharam até a igreja como de
costume.
À porta do templo estava um velho soldado com o braço numa tipóia. Ele
usava uma jaqueta curta e tinha a barba ruiva. Ele fez uma mesura e pediu permissão para tirar o pó dos sapatos da menina. Ela estendeu o pé, e ele tamborilou na sola dos sapatos uma musiquinha compassada que lhe deu cócegas nas solas dos pés.
— Lembre-se de ficar para o baile — disse ele, sorrindo e piscando um olho
para ela.
Mais uma vez, todos lançaram olhares reprovadores para os sapatos vermelhos
da menina. Ela, no entanto, adorava tanto esses sapatos que brilhavam como o
carmim, como framboesas, como romãs, que não conseguia pensar em mais nada,
que mal prestou atenção no culto. Estava tão ocupada virando os pés para lá e para cá para admirar os sapatos que se esqueceu de cantar.
— Que belas sapatilhas! — exclamou o soldado ferido quando ela e a velha
senhora saíam da igreja. Essas palavras fizeram a menina dar alguns rodopios ali
mesmo. No entanto, depois que seus pés começaram a se movimentar, eles não
queriam mais parar; e ela atravessou dançando os canteiros e dobrou a esquina da
igreja até dar a impressão de ter perdido totalmente o controle de si mesma. Ela
dançou uma gavota, depois uma csárdás e saiu valsando pelos campos do outro lado da estrada.
O cocheiro da velha senhora saltou do seu banco e correu atrás da menina. Ele
a segurou e a trouxe de volta para a carruagem, mas os pés da menina, nos sapatos
vermelhos, continuavam a dançar no ar como se ainda estivessem no chão. A velha
senhora e o cocheiro começaram a puxar e a forçar, na tentativa de arrancar os
sapatos vermelhos dos pés da menina. Foi um horror. Só se viam chapéus caídos e
pernas que escoiceavam, mas afinal os pés da menina se acalmaram.
De volta à casa, a velha senhora enfiou os sapatos vermelhos no alto de uma
prateleira e avisou a menina para nunca mais calçá-los. No entanto, a menina não
conseguia deixar de olhar para eles e ansiar por eles. Para ela, eles eram o que havia
de mais lindo no planeta.
Não muito tempo depois, o destino quis que a velha senhora caísse de cama e,
assim que os médicos saíram, a menina entrou sorrateira no quarto onde eram
guardados os sapatos vermelhos. Ela os contemplou lá no alto da prateleira. Seu
olhar tornou-se fixo e provocou nela um desejo tão forte que a menina tirou os
sapatos da prateleira e os calçou, na crença de que eles não lhe fariam mal algum. Só que, no instante em que eles tocaram seus calcanhares e seus dedos, ela foi dominada pelo impulso de dançar.
E saiu dançando porta afora e escada abaixo, primeiro uma gavota, depois uma
csárdás e em seguida giros arrojados de valsa em rápida sucessão. A menina estava
num momento de glória e não percebeu que enfrentava dificuldades até que teve
vontade de dançar para a esquerda e os sapatos insistiram em dançar para a direita.
Quando ela queria dançar em círculos, os sapatos teimavam em seguir em linha reta.
E, como eram os sapatos que comandavam a menina, em vez do contrário, eles a
fizeram dançar estrada abaixo, atravessar os campos enlameados e penetrar na
floresta soturna e sombria.
Ali, encostado numa árvore, estava o velho soldado de barba ruiva, com o
braço na tipóia e usando sua jaqueta curta.
— Puxa — disse ele —, que belas sapatilhas!
Apavorada, a menina tentou tirar os sapatos, mas por mais que puxasse, eles
continuavam firmes. Ela saltava primeiro num pé, depois no outro, para tentar tirálos,
mas o pé que estava no chão continuava dançando assim mesmo e o outro pé na
sua mão também fazia seu papel na dança.
E assim, ela dançava e dançava sem parar. Por sobre os montes mais altos e
pelos vales afora, na chuva, na neve e ao sol, ela dançava. Ela dançava na noite mais
escura, no amanhecer e continuava dançando também ao escurecer. Só que não era
uma dança agradável. Era terrível, e não havia descanso para a menina.
Ela entrou no adro de uma igreja e ali um espírito guardião não quis permitir
que ela entrasse.
— Você irá dançar com esses sapatos vermelhos — proclamou o espírito — até
que fique como uma alma penada, como um fantasma, até que sua pele pareça
suspensa dos ossos, até que não sobre nada de você a não ser entranhas dançando.
Você irá dançar de porta em porta por todas as aldeias e baterá três vezes a cada
porta. E, quando as pessoas espiarem quem é, verão que é você e temerão que seu
destino se abata sobre elas. Dancem, sapatos vermelhos. Vocês devem dançar.
A menina implorou misericórdia mas, antes que pudesse continuar a suplicar,
os sapatos vermelhos a levaram embora. Ela dançou por cima das urzes, através dos riachos, por cima de cercas-vivas, sem parar. Ainda dançava quando voltou à sua antiga casa e viu pessoas de luto. A velha senhora que a havia abrigado estava morta.
Mesmo assim, ela passou dançando. Dançava porque não podia deixar de dançar.
Totalmente exausta e apavorada, ela entrou dançando numa floresta onde morava o carrasco da cidade. E o machado na parede começou a tremer assim que pressentiu que ela se aproximava.
— Por favor! — implorou ela ao carrasco quando passou pela sua porta. — Por
favor, corte fora meus sapatos para me livrar desse destino horrível.
O carrasco cortou fora as tiras dos sapatos vermelhos com o machado, mas os
sapatos não se soltaram dos pés da menina. Ela se lamentou, então, dizendo que sua vida não valia mesmo nada e que ele deveria amputar-lhe os pés. Foi o que ele fez.
Com isso, os sapatos vermelhos com os pés neles continuaram dançando floresta
afora e morro acima até desaparecerem. A menina era, agora, uma pobre aleijada e
teve de descobrir um jeito de sobreviver no mundo trabalhando como criada. E nunca mais ansiou por sapatos vermelhos.
Texto do livro: Mulheres que correm com os lobos
Autora: Clarissa Pinkola Estés
Editora: Rocco

Imagem por Fada Moranga http://fadamorangashop.blogspot.com

O QUE A LENDA NOS ENSINA


Vamos pensar um pouco sobre a história da menina e seus sapatinhos. Ela começa mal, mas não tão mal assim. Afinal, apesar de ser extremamente pobre e de não ter ninguém, a menina tem uma grande fonte de felicidade - os seus lindos sapatinhos vermelhos, que ela mesma fez de trapos.O que são esses trapos? São as habilidades criativas que todas nós, mulheres, temos. Com elas construímos nossas melhores obras, concretizamos nossos maiores desejos.Mas, as vezes, cedemos ao apelo da sociedade, e abandonamos o que nos é mais caro pelo que os outros consideram importante. Foi o que fez a menina, ao aceitar ir morar com a velha senhora. Ela abandonou a sua vida modesta em troca de uma nova vida com dinheiro e conforto.Abandonar o que realmente se quer por aquilo que se pensa querer, ou que os outros querem para nós tem um custo alto. Foi o que aconteceu com a menina. Quando percebeu, até os seus queridos sapatinhos tinham sido queimados. A partir daí, era de se esperar que as coisas não corressem bem. Quem abandona o que construiu, quem abdica de suas habilidades, irá necessariamente sofrer. E tentará encontrar coisas que substituam aquilo que abandonou.Após algum tempo de uma vida tediosa, a menina se defronta com algo que se assemelha aos seus sapatos originais - os sapatos que vê na loja do sapateiro. Imediatamente, se encanta com eles.Por que ela os quer de forma tão intensa? Porque a fazem lembrar de seus sapatinhos vermelhos, e ela os quer de volta. Ela quer de volta a sua alma, a sua capacidade de criar. Mas aqueles não são os seus sapatinhos, e ela os irá usar mal e nas ocasiões erradas.A cada erro, ela é advertida. Mas não ouve, e prossegue no caminho que, no final, irá levá-la à desgraça total - a de ter que cortar os seus pés.
Pense bem, quantas mulheres você conheceu que eram criativas, inteligentes, admiráveis, e abriram mão disso tudo para atender aos desígnios da sociedade? Quantas casaram porque "todo mundo casa", tiveram filhos "porque é o certo", deixaram suas carreiras de lado "porque era necessário"? Essas são as meninas que, mais cedo ou mais tarde, estarão dançando com os sapatinhos vermelhos errados.E os sapatinhos serão sempre algo que parece que trará a felicidade, mas que não traz. Serão o regime que as fará bonitas e que trará o desejo do marido de volta, serão o o vestido que fará com que chamem a atenção na festa, serão o amante que trará o sentimento de felicidade que há muito tempo falta em suas vidas.
Mas não é nem preciso levar a coisa a esses extremos. Todas nós temos nossos sapatinhos vermelhos de verniz. Quando abrimos mão de nossos desejos para atender aos de todas as outras pessoas da família, do trabalho ou da sociedade, estamos preparando o terreno para que surjam perigosos sapatinhos vermelhos de verniz, substitutos que não irão suprir as nossas necessidades mais íntimas.Felizmente, todas nós temos, dentro de nós, os nossos trapinhos vermelhos, que permitem que façamos os nossos próprios sapatinhos. E a história nos alerta - veja bem, não abra mão do seu destino e de seus desejos, obras e qualidades, ou estará condenada a dançar com os sapatos alheios até ter que cortar os pés...
http://www.femininoplural.com.br/fogo/lenda/sapatoensina.html


10 comentários:

Samsara disse...

Olá Astrid
É uma história muito forte. Mas é assim que as pessoas prendem a sua atenção e não se esquecem de seguir o seu coração.
Beijinhos

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

Astrid, amei a história, lembrar a riqueza do que temos mais do chorar o que não temos é realmente o segredo...para seguirmos livres o nosso caminho.

Astrid Annabelle disse...

Sam...
é para você ficar pensando por que esteve em contato com este conto hoje!
Tem recado oculto nesta mensagem!
Beijo.
Astrid

Astrid Annabelle disse...

Ana Cristina...
o mesmo que disse para a Sam...
Um beijo agradecido.
Astrid

Lucy disse...

É curioso, apesar das danças cheias de 'reviravoltas' da minha vida, nunca apreciei uns sapatinhos vermelhos... (só nos pés dos outros)!

Mas a lenda ensina bem. Muitas vezes fechámos 'pés' de muita coisa e passámos uma vida a calçar uns números abaixo.

No momento, já só uso nºs acima - o pé respira melhor.

Uma beijoca, agradecida por te apeares na minha estaçãozita secundária.

(Então, ainda não descobriste a montanha secreta??? Está lá, sempre à vista, mesmo que seja só de passagem. O Miguel (o Torga) também gostava muito dela.)

Lucy

maria de fátima disse...

Olá Madrinha Astrid gostei de ler esta história.De facto às vezes deixamos de viver os nossos sonhos para viver os dos outros e assim ficamos infelizes.Beijinhos.

Astrid Annabelle disse...

Lucy,
toda lenda é meio mágica! Ela chama pela mulher selvagem que habita no nosso interior. Essa mulher selvagem gosta de coisas que não podemos revelar!!!
Descobri sim...Gerês..é isso?
Eu é que agradeço sua palavra e sua visita!
Um beijo grande
Astrid

Astrid Annabelle disse...

Minha afilhada querida!
Deixamos, pois aprendemos que servir os outros importa mais que a nós mesmos!
Um beijo agradecido.
Astrid

cova-do-urso disse...

Astrid, que história! Impressionante. Gostei muito.

Astrid Annabelle disse...

António,
apesar dessa história focar a menina e a mulher, ela é um recado para o feminino de todo o ser humano.
Ela trás uma mensagem oculta para quem a lê!
Descubra o seu recado!
Agradeço de coração a sua visita, seu comentário e desejo rápida recuperação da sua saúde perfeita!
Um beijo.
Astrid

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