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Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós.
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Antoine de Saint Exupéry

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Cristo é a operação combinada — o encontro do finito com o infinito, tempo e eternidade se encontrando e se fundindo. Osho

TENHA UM TEMPO FELIZ!

"Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim dividir um planeta e uma época com você." (Carl Sagan)

EU ME SINTO GRATA E HONRADA...

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♥ BOM DIA ALEGRIA... BOM DIA SOL....a única sensação que tenho é que estou com os pés na areia...o resto de mim anda por aí em uma velocidade estonteante... e isso me dá ALEGRIA!!!

"Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos, e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta." autor desconhecido

POIS É...

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"...Só aqueles que compreenderam que devem procurar o infinito, o ilimitado, o que está além do tempo e do espaço, se sentem vivos, porque a vida verdadeira é a imensidão, a eternidade. Nunca vos refugieis naquilo que é acessível, limitado: abarcai o infinito e a vossa alegria também será infinita. Será a felicidade, a luz, a força, o dilatar de todo o vosso ser." Omraam Mikhaël Aïvanhov

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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Decretem nossa extinção e nos enterrem aqui"


Toda a História do Brasil, a partir da “descoberta” e da colonização, é marcada pelo olhar de que o índio é um entrave no caminho do “progresso” ou do “desenvolvimento”. 
Entrave desde os primórdios – primeiro, porque teve a deselegância de estar aqui antes dos portugueses; em seguida, porque se rebelava ao ser escravizado pelos invasores europeus. 
A sociedade brasileira se constituiu com essa ideia e ainda que a própria sociedade tenha mudado em muitos aspectos, a concepção do índio como um entrave persiste. E persiste de forma impressionante, não só para uma parte significativa da população, mas para setores do Estado, tanto no governo atual quanto nas gestões passadas.
 “Entraves” precisam ser removidos. E têm sido, de várias maneiras, como a História, a passada e a presente, nos mostra. Talvez essa seja uma das explicações possíveis para o impacto da carta de morte ter alcançado um universo maior de pessoas. Desta vez, são os índios que nos dizem algo que pode ser compreendido da seguinte forma: “É isso o que vocês querem? Nos matar a todos? Então nós decidimos: vamos morrer”. Ao devolver o desejo a quem o deseja, o impacto é grande.
É importante lembrar que carta é palavra. 
A declaração de morte coletiva surge como palavra dita. 
Por isso precisamos compreender, pelo menos um pouco, o que é a palavra para os Guaranis Caiovás. 
Em um texto muito bonito, intitulado Ñe'ẽ – a palavra alma, a antropóloga Graciela Chamorro, da Universidade Federal da Grande Dourados, nos dá algumas pistas: 
“A palavra é a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. 
As experiências da vida são experiências de palavra. Deus é palavra. (...) 
O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou provê para si um lugar no corpo da criança. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela é justamente o que nos mantém em pé, que nos humaniza. (...) 
Na cerimônia de nominação, o xamã revelará o nome da criança, marcando com isso a recepção oficial da nova palavra na comunidade. (...) 
As crises da vida – doenças, tristezas, inimizades etc. – são explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esforçam para ‘trazer de volta’, ‘voltar a sentar’ a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a saúde.(...) 
Quando a palavra não tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um não-ser, uma palavra-que-não-é-mais. (...)  
Ñe'ẽ e ayvu podem ser traduzidos tanto como ‘palavra’ como por ‘alma’, com o mesmo significado de ‘minha palavra sou eu’ ou ‘minha alma sou eu’. (...) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma não uma parte, mas a vida como um todo.”
*
A fala, diz o antropólogo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo, é a parte mais sublime do ser humano para os Guaranis Caiovás. 
“A palavra é o cerne da resistência. 
Tem uma ação no mundo – é uma palavra que age. 
Faz as coisas acontecerem, faz o futuro. 
O limite entre o discurso e a profecia é tênue.”
*
Se a carta de Pero Vaz de Caminha marca o nascimento do Brasil pela palavra escrita, é interessante pensar o que marca a carta dos Guaranis Caiovás mais de 500 anos depois. Na carta-fundadora, é o invasor/colonizador/conquistador/estrangeiro quem estranha e olha para os índios, para sua cultura e para sua terra. Na dos Guaranis Caiovás, são os índios que olham para nós. O que nos dizem aqueles que nos veem? (Ou o que veem aqueles que nos dizem?)
A declaração de morte dos Guaranis Caiovás é “palavra que age”. 
Antes que o espasmo de nossa comoção de sofá migre para outra tragédia, talvez valha a pena uma última pergunta: para nós, o que é a palavra?

ISTO É PARTE DE UM LONGO TEXTO 
DE 
ELIANA BRUM
NA REVISTA ÉPOCA

*
*
ASTRID ANNABELLE / MA JIVAN PRABHUTA
*
IMAGEM DAQUI
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4 comentários:

António Rosa disse...

Querida Astrid,

Muito agradecido por este post. Não farei nenhum comentário especial, excepto para lhe dizer que me sinto solidário e, por isso, farei um post no Cova do Urso a remeter a leitura para aqui e, naturalmente no FB e Google+. Assunto muito importante e significativo. Beijo. António

Astrid Annabelle disse...

Bom dia meu querido António!
Como brasileira lamento profundamente este estado de coisas....
Como cidadã do mundo sinto tristeza!

Já estive no Cova do Urso, no seu G+ e no seu perfil do FB...muito obrigado de coração por todo o seu carinho e apoio de sempre!

Beijo grande e que Deus/a ilumine as pessoas desse mundo!!!
Astrid Annabelle

Anônimo disse...

Infelizmente é um assunto que é vivido em mais países; os camponeses vão ficando sem terra e perdem a sua subsistência. O mesmo se passa em Moçambique e na China, pelo que tenho lido.
Talvez a palavra também fosse tão importante para os índios dos Estados Unidos. Sabemos como o homem branco não tinha palavra e o que aconteceu...
Gostei da música, foi bem escolhida.
Beijos e obrigada pelo texto.
Carmo

Astrid Annabelle disse...

Minha querida Carmo!

Desde que os humanos estabeleceram fronteiras e limites a tristeza se instalou.
Somos UM... e isso precisa ser compreendido.

Quanto à palavra...sem palavras!!!

A música eu sempre escolho a dedo para o tema do post...fiquei feliz que gostou.

Um beijo doce e agradecido por sua presença.
Astrid Annabelle

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