VOCÊ É HUMANO?
“Estamos nos tornando uma geração de humanos
que teme sua própria humanidade”
ELIANE BRUM
Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40
prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance
- Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elianebrum@uol.com.br
@brumelianebrum (Foto: ÉPOCA)
Recomendo vivamente a leitura desse artigo na revista Época:
É sobre a necessidade que os humanos atuais têm
de se sentirem felizes por obrigação.
Esquecem que para serem humanos normais e inteiros têm que considerar/integrar o seu lado sombra.
Diz a Eliane:
" Há alguns anos me pergunto se o “direito à felicidade”, que se tornou
uma crença partilhada tanto por religiosos quanto por ateus na nossa
época, tem sido causa de considerável sofrimento. Se você acredita que
tem direito à felicidade, de preferência todo o tempo, ao sentir
frustração, tristeza, angústia, decepção, medo e ansiedade, só pode
olhar para esses sentimentos como se fossem uma anomalia. Ou seja: eles
não lhe pertencem, estão onde não deveriam estar, precisam ser
combatidos e eliminados. O que sempre pertenceu à condição humana passa a
ser uma doença – e como doença deve ser tratado, em geral com
medicamentos. Deixamos de interrogar os porquês e passamos a calar algo
que, ao ser visto como patologia, deve ser “curado”, porque não faz
parte de nós. É um tanto fascinante os caminhos pelos quais a felicidade
vai deixando o plano das aspirações abstratas, da letra dos poetas,
para ser tratada em consultório médico. E, ainda mais recentemente, como
objeto do Direito e da Lei, inclusive com proposta de emenda
constitucional.
Quem acompanha esta coluna sabe que a felicidade tem sido um tema
assíduo. Acredito que poucos fenômenos são tão reveladores sobre a forma
como olhamos para a condição humana em nosso tempo como o “direito à
felicidade”. Sem esquecer que este tema está relacionado a outros dois
fenômenos atuais: a medicalização da vida e a judicialização dos
sentimentos. Ou, dito de outro modo: tratar o que é do humano como
patologia e dar aos juízes a arbitragem dos afetos."
Vale muito a pena dedicar uns dez minutos para este tema.
Pode ser que faça muita diferença em sua vida.
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ASTRID ANNABELLE / MA JIVAN PRABHUTA
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