deixando de lado
bagagens e vaidades que não me acrescentam,
e valorizando apenas as
coisas simples e verdadeiras da vida.
*
“As
bênçãos da felicidade podem estar em qualquer lugar:
Que a felicidade
não dependa do tempo, nem da paisagem,
nem da sorte, nem do dinheiro.
Que ela possa vir com toda simplicidade,
de dentro para fora, de cada um
para todos.”
(sabedoria zen budista)
*
Essa conversa é antiga...só para lembrar....
*
PASSEIO SOCRÁTICO
por Frei Beto
*
Ao
viajar pelo Oriente mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia,
do Japão e da China.Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz
nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do
aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com
telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do
que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas
como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir:
'Qual dos dois modelo produz felicidade?'
*
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:
'Não foi à aula?'
Ela respondeu:
'Não, tenho aula à tarde'.
Comemorei:
'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'.
'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...'
'Que tanta coisa?',
perguntei.
'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina',
e começou a
elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando:
'Que pena, a
Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'
*
Estamos construindo super-homens e super-mulheres,
totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis
livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de
ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me
preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho
ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma
maravilha, não tinha uma celulite!'
Mas como fica a questão da
subjetividade?
Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
*
Hoje, a palavra é virtualidade.
Tudo é virtual.
Trancado em seu quarto,
em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma
preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra!
Tudo é
virtual.
Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos
virtuais.
E somos também eticamente virtuais...
*
A palavra hoje é 'entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da
imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se
apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a
publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que
felicidade é o resultado da soma de prazeres:
'Se tomar este
refrigerante, calçar este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,
você chega lá!'
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede
desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um
analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
O grande
desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse
condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos
são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
*
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Na Idade Média, as
cidades adquiriam status construindo uma catedral;
hoje, no Brasil,
constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shoppings centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de
missa de domingo.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca:
não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Felizmente,
terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o
mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
*
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
'Estou
apenas fazendo um passeio socrático.'
Diante de seus olhares espantados,
explico:
'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe
de que não preciso
para ser feliz !"
*
ASTRID ANNABELLE / MA JIVAN PRABHUTA
*
*A imagem é de minha autoria*
e
me lembrei de todas estas mensagens
AQUI
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