Ah! Que aperto no peito!
É uma saudade indefinida e intensa... saudade da minha Ba. Uma pessoa que foi trazida do interior da Bahia, do alto sertão, por meu avô. Era menina, descendente direta de escravos. Foi escolhida para ser babá da minha mãe. Viu minha mãe nascer e ajudou a cuidar dela. Com o passar dos anos transformou-se em uma linda mulher de pele muito negra e dentes brilhantes perfeitos que se mostravam sempre através de um largo sorriso. Sorria com a alma. Lembro das palmas das suas mãos rosadas...eram mãos de amor.
Acabou sendo integrada à família.
Me viu nascer.
Fez por mim o mesmo que fez por minha mãe...poderia até chamá-la de babá vovó!
Escrevendo aqui, sinto seu cheiro... lembro do seu colo... das balas de mel que fazia para me agradar. Guardo ainda um retalho de filó no qual fez uns pontinhos cruz para que eu aprendesse a bordar. Nunca a vi triste...nunca a vi chorar.
Não poderia ter um nome mais bonito...Maria José...nascida no dia de São José, 19/03, recebeu o nome em louvor à Nossa Senhora e ao santo padroeiro!
Viveu para nós...durante trinta e cinco anos ficou ao lado de minha avó.
Um dia a minha Ba resolveu que precisava fazer uma viagem rápida até Salvador.
Estávamos na época morando no Rio.
Lembro ainda daquela manhã nublada, no cais do porto, olhando para o navio que iria levar a minha Ba.
Foi uma viagem de ida...sem volta.
Saiu da minha lenda acenando, sorrindo e mandando beijos.
Pois é...hoje eu me lembrei muito de você Ba!
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Esse texto eu escrevi em um dia parecido ao de hoje,
onde acordei com uma imensa saudade da minha Bá.
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Post original AQUI
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ASTRID ANNABELLE / MA JIVAN PRABHUTA
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IMAGEM:
Mãe Preta de Portinari
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